quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Perdas (Baseado em A Cabana)

A Cabana conta a história de Mack, um homem que se revoltou totalmente depois de perder sua filha. A história se desenrola mostrando o relacionamento dele com Deus, suas angústias, dúvidas, tristezas... 
É um livro maravilhoso, com uma história tocante e profunda. Depois da leitura você certamente verá as coisas de outra forma. Eu briguei bastante com o livro antes de conseguir ler. Foram duas tentativas anteriores totalmente frustradas, até eu o pegar e fazer pirraça, não aceitei menos do que engolir o livro. 
Não vou resenhar o livro, minha intenção é falar sobre o assunto dele: perdas. 
Já tive muitas na vida. Perdi gente que amava muito porque simplesmente resolveram se afastar ou eu me afastei, perdi pessoas que preferiram sair da minha vida... mas a perda que mais dói, sem dúvida, é a que se trata no livro: a perda eterna. 
Ninguém nunca está preparado para perder uma pessoa que ama, ninguém quer que isso aconteça. Mas acontece e temos que aceitar. A notícia vem e destrói nosso mundo, faz tudo cair e nada mais fazer sentido. A revolta se instala, a falta de aceitação, a vontade de morrer junto. Já senti isso, e não desejo pra ninguém. 
Há dias em que só quero um buraco pra entrar e nunca mais sair, quero sumir, ir pra algum lugar em que não doa. Mas esse lugar não existe. Vai doer em qualquer lugar que você for, porque ela vai junto, lá no coração. É uma dor insuportável, que parece matar aos poucos, parece dilacerar o coração. Mas ela não mata de uma vez, mata torturando. E sua única saída é ir em busca da aceitação.
Chega o momento em que a dor se torna saudade, lembrança, histórias engraçadas. Se torna a lágrima que vem de repente quando algo te lembra aquela pessoa. Já passei por todas essas fases. E não quer dizer que quando você chega na aceitação a dor some. De maneira nenhuma. Tem dias de paz e dias de revolta. Os de revolta são a prova viva da dor, da vontade de sumir e de arrancar fora o coração.
Mack nos mostra o lado revoltado da perda, a não aceitação, a vontade de que o mundo acabe porque nada mais faz sentido.  
Aí entra uma frase verdadeira do Caio Fernando "(...) dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar." Nesse momento estar dentro do próprio corpo é a pior coisa do universo, a cabeça gira e tudo que pensamos é em ir junto, nada mais faz sentido, nada nos faz sorrir, nada é capaz de tornar colorido o que se tornou cinza em questão de segundos. 
Aí entra a lição de A Cabana: Deus não nos faz sofrer e nem nos faz mal, eles apenas usa essas situações para nos ensinar algo. E Ele nos fala o tempo inteiro através de outras pessoas e sinais. Preste atenção a tudo todo o tempo. Lições são aprendidas, dores são curadas e feridas são fechadas, basta parar e prestar atenção. 
E o principal: as pessoas que se amamos nunca nos deixam. Agora elas habitam aquela lugar que parece pular pra fora de tanta dor: o coração. Cada batida é uma resposta pra dor, cada batida nos mostra que aquelas pessoas sempre estarão ali, e nos amam, de onde estiverem. Assim como também os amaremos, e pra sempre. 

                                           (Ludimila de Paula - post incomum)

Um comentário:

  1. Apesar de não ter gostado muito de A Cabana, eu adorei o texto. Foi tocante

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